domingo, 30 de outubro de 2016

Cuidado: post produzido a partir de produto transgênico

Nos últimos meses a rotulagem de produtos contendo transgênicos foi alvo de intensa atividade legislativa e/ou judiciária tanto no Brasil como nos EUA. Lá, o congresso americano aprovou uma lei padronizando os rótulos. Houve muita gritaria por parte dos grupos anti-transgênicos. Eu, particularmente, acho a padronização bem vinda já que ela impede o lobby de grupos anti-transgênicos nas câmaras legislativas estaduais e assim o consumidor tem uma informação mais confiável e menos enviezada do ponto de vista ideológico. Aqui no Brasil, a Câmara aprovou em Abril projeto de lei que acaba com a exigência do rótulo em produtos contendo transgênicos mantendo a obrigatoriedade para os produtos que apresentarem presença de transgênicos "superior a 1% de sua composição final". Menos de um mês depois, o STF garantiu a rotulagem em produtos contendo qualquer quantidade de transgênicos.

Eu não vejo a necessidade do rótulo já que é consenso na comunidade científica que transgênicos não causam mal à saúde humana. Já discuti esse assunto no blog em algumas oportunidades. Entendo, no entanto, que esse é um assunto sensível para boa parte da população. Assim, não vejo problema na existência dos rótulos, embora ache que os mesmos deveriam ser mais informativos deixando explícito que os trangênicos não fazem mal à saúde humana.

A questão principal refere-se à ignorância de boa parte da população quanto aos princípios que governam a ciência. Nesse sentido o debate dos trangênicos lembra o debate sobre a pílula do câncer, a fosfoetanolamina. Ambos são dominados por posições ideológicas e/ou emotivas. Os cientistas continuam a demonstrar a sua incapacidade de convencer os leigos sobre temas que a ciência já tem respostas.

                                         Resultado de imagem para rotulo transgênicos


terça-feira, 5 de julho de 2016

Aprendizado ativo, JÁ!

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Já havia escrito aqui sobre um artigo do PNAS mostrando através de uma meta-análise o efeito positivo do aprendizado ativo sobre as taxas de aprovação e frequência em alunos americanos. Agora, uma nova pesquisa, publicada no CBE-Life Science Education e disponível aqui, mostra que o engajamento precoce de alunos em projetos de pesquisa, ao invés de aulas expositivas, tem também um impacto positivo no tempo de conclusão do curso e na taxa de evasão. O estudo foi feito na University of Texas - Austin e comparou 2500 alunos submetidos ao programa experimental com um grupo equivalente de alunos submetido ao tradicional aprendizado passivo. O estudo mostra que 94% dos alunos submetidos ao aprendizado ativo concluíram o curso, comparado a 71% do grupo controle. Além disso, 83% dos alunos do grupo experimental concluíram o curso em menos de 6 anos, comparado a 66% no grupo submetido ao aprendizado passivo.
Parabéns à University of Texas - Austin pela implementação do programa e pela análise que resultou no artigo. Mais evidências que aprendizado ativo FUNCIONA!


domingo, 3 de julho de 2016

Edge.org - sensacional

Vagando pela internet, dei de cara com o Edge.org.  Já tinha ouvido falar sobre as "Questões Anuais" do Edge.org mas ainda não tinha visitado. Sensacional! Tiro do próprio site uma descrição:

"The motto of the Club was inspired by the late artist-philosopher James Lee Byars: "To arrive at the edge of the world's knowledge, seek out the most complex and sophisticated minds, put them in a room together, and have them ask each other the questions they are asking themselves."

A base do Edge.org é a "Terceira Cultura": cientistas e pensadores que falam diretamente com o público leigo, substituindo (ou complementando) os intelectuais mais tradicionais. Entre os vários tópicos que merecem uma leitura, sugiro o bate-papo com George Church (disponível aqui).


domingo, 29 de maio de 2016

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Transgênicos são seguros, segundo a National Academy of Science dos EUA

A National Academy of Science (NAS) americana debruçou-se sobre os organismos geneticamente modificados (ou transgênicos) e concluiu algo que já estava bastante claro entre aqueles que estudam o tema: os transgênicos são seguros e sua utilização traz benefícios para o homem e o ambiente. A NAS formou um comitê multidisciplinar há alguns anos, o qual analisou quase 1.000 trabalhos científicos sobre o tema, entrevistou quase uma centena de especialistas no assunto e interagiu com o público para produzir um relatório de mais de 400 páginas sobre o assunto. O relatório (em inglês) pode ser obtido gratuitamente na página da NAS acima. 
Em um debate dominado por posições políticas e ideológicas, o relatório da NAS é refrescante no sentido de ser uma análise dura e crua das evidências. Vejam a conclusão geral sobre o efeito de transgênicos no ambiente:
 
"Overall, the committee found no conclusive evidence of cause-and-effect relationships between GE crops and environmental problems. However, the complex nature of assessing long-term environmental changes often made it difficult to reach definitive conclusions. That is illustrated by the case of the decline in overwintering monarch butterfly populations. Studies and analyses of monarch dynamics reported as of March 2016 have not shown that suppression of milkweed by glyphosate is the cause of monarch decline. However, there is as yet no consensus among researchers that increased glyphosate use is not at all associated with decreased monarch populations. Overwintering monarch populations have increased moderately in the last 2 years. Continued monitoring will be useful"

Agora sobre o efeito de transgênicos na saúde humana:

"On the basis of its detailed examination of comparisons between currently commercialized GE and non-GE foods in compositional analysis, acute and chronic animal toxicity tests, long-term data on health of livestock fed GE foods, and epidemiological data, the committee concluded that no differences have been found that implicate a higher risk to human health safety from these GE foods than from their non-GE counterparts. The committee states this finding very carefully, acknowledging that any new food—GE or non-GE—may have some subtle favorable or adverse health effects that are not detected even with careful scrutiny and that health effects can develop over time"

A cautela no final de cada conclusão é natural e padrão em qualquer texto científico. A controvérsia que paira sobre o tema também recomenda uma certa dose de cautela. A conclusão final, no entanto, é bastante clara e já esperada baseado em outros estudos mais específicos. O grande desafio é ainda passar informação de qualidade ao público leigo. Uma pesquisa de opinião recentemente realizada nos EUA mostrou que 57% dos americanos adultos consideram a comida proveniente de transgênicos insegura. Entre aqueles que se consideram bem informados sobre ciência, este número cai para 47%. Ou seja, quanto mais bem informada a pessoa, maior a sua aceitação dos transgênicos. 

 Resultado de imagem para National academy science crops genetically engineered

sábado, 9 de abril de 2016

PETase

Como todos sabem, um dos maiores problemas ambientais da atualidade é o número de itens de plástico que acabam acumulados no ambiente. Estima-se que apenas 14% de todo esse plástico acabe sendo reciclado. Em um dos últimos números da Science, um grupo do Japão descreve uma bactéria, Ideonella sakaiensis, capaz de degradar um dos principais tipos de plástico, o PET (PolyEthylene Terephthalate). Como eles chegaram lá é fascinante. Os autores sequenciaram o DNA de espécies existentes em uma usina de reciclagem de garrafas PET. Faz sentido já que a abundância do material pode ter dado uma vantagem seletiva a uma dada espécie que adquirisse a capacidade de degradá-lo e usá-lo como fonte de energia.
Ao analisar a sequência do genoma da espécie degradadora de PET, os autores chegaram à enzima responsável pela degradação, uma PETase. Há ainda muito trabalho a ser feito para podermos avaliar a aplicabilidade dessa descoberta. Mas não deixa de ser promissor.