sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Biotec at home

Sapeando pela internet, dou de cara com a iniciativa "DIYbio" (Do-it-yourself biologist) que visa, como o nome indica, fomentar o biólogo que existe dentro de cada um de nós. Já tinha ouvido falar da iniciativa em uma artigo na Nature há vários anos com o sugestivo título de "garage biotech". A ideia, certamente nobre, é capacitar o cidadão comum a desenvolver projetos relacionados à biologia e à biotecnologia. Por exemplo, há várias iniciativas no mundo todo criando "community labs", onde alunos e cidadãos tem a oportunidade de vivenciar um ambiente de laboratório. As implicações são enormes tanto para o empreendedorismo em biotecnologia como para educação científica.

Além dos links acima, sugiro mais dois:

- artigo na Forbes. Um outro nome dado a este tipo de iniciativa é "Citizen Science".
- página da Scientific American.

Imagino o que os governos e seus receios antiterroristas pensam disso.



sábado, 8 de novembro de 2014

Para continuar rindo


Non Sequitur - nq_c141107.tif

Mais um "cartoon" sobre criacionismo. Este foi publicado no Boston Globe e
é de autoria do Willey Miller. Ele ironiza o argumento dos criacionistas de que
a evolução "..is just a theory".


domingo, 2 de novembro de 2014

Um basta ao design inteligente!



Em uma democracia, qualquer grupo de pessoas pode se reunir para discutir o que bem entender. Sendo assim, o grupo que organiza o Primeiro Congresso Brasileiro do Design Inteligente (em Campinas de 14-16 de Novembro) tem todo o direito de fazê-lo. O preocupante é que haja um grupo de pessoas que acredita nesta bobagem do design inteligente, principalmente entre acadêmicos e "cientistas" (coloco entre aspas porque é difícil acreditar que um cientista bem informado coloque-se dentro desse grupo - a verdadeira motivação desse pessoal é ideológica - leia-se religião!!). Lembremos: esse pessoal quer tirar o evolucionismo das aulas de ciências e colocar essa pseudociência chamada de design inteligente - a versão moderna do criacionismo.
Na programação do evento consta uma assembleia de fundação da sociedade brasileira do design inteligente. Mais preocupante ainda é a presença de vários professores de universidades brasileiras como Unicamp, UFAM, UNB, entre outras. Quase todos são químicos e aí imagino haver uma influência de Marcos Eberlin, professor da Unicamp e notório defensor do design inteligente.
O evento conta com mais de 30 patrocinadores (o que mostra o potencial de mobilização desse pessoal). Felizmente não há nenhum órgão governamental entre os financiadores mas há várias empresas de peso na área de insumos e equipamentos, entre elas: Life Technologies, Sigma-Aldrich, Waters e Agilent Technologies. Me pergunto se estas companhias têm ideia de que estão associando os seus nomes à pseudociência do design inteligente.
Alertarei os meus contatos nessas empresas. E mais: pensarei duas vezes antes de comprar qualquer produto das mesmas.

domingo, 19 de outubro de 2014

Fotossíntese 2.0

 
  Aprendemos no ensino médio que as plantas produzem oxigênio (e açúcar) a partir de água, dióxido de carbono e luz solar. A nossa atmosfera é o resultado de bilhões de anos de fotossíntese. A principal proteína envolvida no processo chama-se RuBisCO, que fixa o dióxido de carbono. O detalhe que quase ninguém conta é que a RuBisCO também tem afinidade pelo oxigênio. Ao longo dos bilhões de anos, o aumento da concentração de oxigênio tornou o processo de fotossíntese ineficiente visto que o oxigênio compete com o dióxido de carbono pela RuBisCO. Com a ineficiência da fotossíntese, o crescimento da planta é afetado pois menos glicose é produzida. Também ao longo dos bilhões de anos a seleção natural foi encontrando soluções. A mais comum não é necessariamente a mais eficiente (afinal a seleção natural é oportunista e não perfeccionista): a maioria das plantas produz muita RuBisCO para compensar a sua ineficiência. As gramíneas e as cianobactérias, por sua vez, possuem uma RuBisCo mais eficiente.
   Qualquer discussão sobre o aumento de produtividade de plantas em geral passa por uma aumento da eficiência da fotossíntese. Que tal então fazer um transgênico que possua a RuBisCO mais eficiente? Aparentemente, essa troca não é nada fácil mas um artigo na Nature de 25 de Setembro reporta um tabaco transgênico onde a RuBisCo de uma cianobactéria foi introduzida. Como esperado, a planta apresentou uma maior eficiência de fotossíntese.
   Obviamente, este é o primeiro passo de um longo processo mas não deixa de ser uma boa notícia para começarmos a semana!

domingo, 12 de outubro de 2014

Associação Brasileira de Biotecnologia Industrial (ABBI)

  Antes tarde do que nunca. Havia visto uma breve notícia sobre o lançamento da ABBI na época mas acabei esquecendo de postar. Pois é, grandes empresas na área da biotecnologia industrial criaram a
Associação Brasileira de Biotecnologia Industrial, a ABBI. As empresas são: Amyris, Basf, BioChemtex, BP, CTC, Dow, DSM, DuPont, GranBio, Novozymes, Raízen e Rhodia. Excelente! Chama a atenção o fato dos fundadores serem empresas de peso na área. Normalmente, o que vemos são associações formadas por pessoas físicas, normalmente acadêmicos da área. Empresas fundadoras podem garantir uma estabilidade financeira importante para a execução dos objetivos estatutários.
  Abaixo, um vídeo com declarações dos dirigentes das empresas envolvidas.



domingo, 5 de outubro de 2014

Homo sapiens, tarado(a)!

     O título é obviamente provocativo, com o intuito de chamar a sua atenção. Dia lindo de sol em Natal e eu aqui trabalhando em um artigo que pretendo submeter logo. Não vou entrar em detalhes sobre o artigo mas está relacionado à evolução humana. Uma breve síntese dos últimos 7 milhões de anos da nossa espécie em poucas linhas. Surgimos a partir de um ancestral comum com os chimpanzés e bonobos. Entre aquele ancestral e nós, dezenas de espécies surgiram e desapareceram. A nossa espécie surgiu na África e a partir de lá conquistou o resto do planeta (pelo menos a parte terrestre). Houve várias migrações a partir da África nos últimos 200 mil anos e os humanos modernos, do ponto vista anatômico, migraram pela última vez ao redor de 50 mil anos atrás. Era um grupo pequeno, poucos milhares de indivíduos, que deu origem a toda população humana no planeta. Isso significa que que a diversidade genética dos nossos ancestrais era relativamente pequena (devido ao pequeno número de indivíduos).


  
   Uma das descobertas mais sensacionais dos últimos anos é que estes nossos ancestrais provavelmente cruzaram (ou seja, tiveram sexo) com membros de espécies próximas, como os neandertais e os denisovans. Como o genoma dessas espécies já foi sequenciado, observou-se que o genoma humano possui várias regiões que tem a sua origem nessas espécies. Lendo a excelente revisão de Siddle e Quintana-Murci no Current Opinion in Genetics and Development (disponível aqui para assinantes), me deparo com uma especulação interessante dos autores.  Eles argumentam que essa mistura genética entre os nossos ancestrais e os neandertais e denisovans serviu para restaurar um pouco a diversidade genética, diminuída pelo gargalo populacional que a nossa espécie sofreu na sua última saída da África.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

É a inovação, estúpido.

 

  Leio na Folha de hoje sobre o crescente déficit da balança comercial de produtos farmacêuticos, que em 2014 deverá ultrapassar a marca dos 6 bilhões de dólares. Os números são da Interfarma (Associação da Industria Farmacêutica de Pesquisa). O consenso é que falta inovação! Apesar de existirem exceções, a academia e a indústria ainda vivem muito distantes. Culpa dos dois! Na academia, apesar de progressos na mudança para uma cultura mais aberta a interações com o setor produtivo, a burocracia que regulamenta tais interações ainda é limitante. Do lado da indústria, uma visão estreita de lucro ao curto prazo inibe uma interação mais forte com a academia. Como eu disse: há exceções e nota-se claramente uma melhora na interlocução entre os dois setores. Mas não está sendo suficiente como mostram os números da Interfarma para o setor farmacêutico.