O grupo japonês foi mais longe. Eles conseguiram isolar os espermatozoides produzidos nas fêmeas e mostraram que os mesmos são funcionais. Ou seja, quando usados em um processo de inseminação artificial, os espermatozoides produzem indivíduos com o desenvolvimento aparentemente normal. Homens, melhor ficarmos atentos. Se formos mais atenciosos, carinhosos e pacíficos, elas (quem sabe?) não resolvem nos manter por aqui.
sexta-feira, 21 de agosto de 2015
Mulheres: eis aí a sua chance
Um filme meio bobo da década de 90 mostra um mundo somente com mulheres (O último homem do planeta Terra, 1999). Bem, a Science de 17 de Julho mostra um possível primeiro passo para as mulheres não dependerem mais dos homens no que se refere à reprodução da espécie. Um grupo japonês mostrou que fêmeas do peixe medaka (aqueles peixinhos dourados de aquário, espécie Oryzias latipes) podem produzir espermatozoides quando o gene foxl3 é deletado. Isso mesmo! As fêmeas são normais com ovários macro e microscopicamente normais mas além dos óvulos elas também produzem espermatozoides (os pontos brancos no canto inferior direito da imagem abaixo). Machos da mesma espécie produzem espermatozoides normalmente quando o gene foxl3 é deletado.

O grupo japonês foi mais longe. Eles conseguiram isolar os espermatozoides produzidos nas fêmeas e mostraram que os mesmos são funcionais. Ou seja, quando usados em um processo de inseminação artificial, os espermatozoides produzem indivíduos com o desenvolvimento aparentemente normal. Homens, melhor ficarmos atentos. Se formos mais atenciosos, carinhosos e pacíficos, elas (quem sabe?) não resolvem nos manter por aqui.
O grupo japonês foi mais longe. Eles conseguiram isolar os espermatozoides produzidos nas fêmeas e mostraram que os mesmos são funcionais. Ou seja, quando usados em um processo de inseminação artificial, os espermatozoides produzem indivíduos com o desenvolvimento aparentemente normal. Homens, melhor ficarmos atentos. Se formos mais atenciosos, carinhosos e pacíficos, elas (quem sabe?) não resolvem nos manter por aqui.
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Pirataria
Leio no excelente blog "Darwin e Deus" do jornalista Reinaldo José Lopes sobre o fóssil da cobra com patas recentemente publicado na Science. Acontece que a danada vivia no Ceará, na chapada do Araripe (que aliás estou doido para conhecer devido à formação Santana, entre outras razões) e o seu fóssil é provavelmente mais um exemplo de pirataria, ou seja, foi retirado do país de forma ilegal.
O legal (sem trocadilhos) do post do Reinaldo é a entrevista com dois dos principais autores do trabalho da Science. Ambos criticam o Brasil, um de forma mais branda e o outro em um estilo "Eurico Miranda". O que mais surpreende é que o governo brasileiro simplesmente não aprende. Depois de dezenas de casos similares os pesquisadores estrangeiros, e imagino também os brasileiros, não conseguem ter um acesso legalizado e rápido aos fósseis para seus estudos. Isso não justifica porém os vários casos de roubo (muitas vezes comercializações ilegais). Abaixo o fóssil que aliás é lindo!
O legal (sem trocadilhos) do post do Reinaldo é a entrevista com dois dos principais autores do trabalho da Science. Ambos criticam o Brasil, um de forma mais branda e o outro em um estilo "Eurico Miranda". O que mais surpreende é que o governo brasileiro simplesmente não aprende. Depois de dezenas de casos similares os pesquisadores estrangeiros, e imagino também os brasileiros, não conseguem ter um acesso legalizado e rápido aos fósseis para seus estudos. Isso não justifica porém os vários casos de roubo (muitas vezes comercializações ilegais). Abaixo o fóssil que aliás é lindo!
sábado, 18 de julho de 2015
Phil Green afinou
Gene Myers acabou de dar sua palestra aqui em CHSL falando sobre o seu programa de montagem usado pela Celera e no final houve um certo desapontamento pois Phil Green se absteve de fazer qualquer comentário. O interesse também foi ouvir de Gene a sua confiança nos dados da PacBio que reportam sequências mais longas e assim facilitam o processo de montagem.
Gene Myers
A briga continua
O sequenciamento do genoma humano, publicado em 2001 pelo Projeto Genoma Humano na Nature e pela Celera Genomics na Science, foi acompanhado por brigas públicas entre membros das duas equipes. Os brasileiros presenciaram uma dessas brigas na Brazilian International Genome (BIG) conference entre Gene Myers (Celera) e Tim Hubbard (PGH) em março de 2001.
Bem, quase 15 anos depois o clima continua pesado entre os membros originais dos dois grupos. Em várias palestras aqui em CSHL houve um jab aqui e outro acolá. Agora há pouco na palestra de Phil Green (pai do programa Phred que avalia a qualidade da chamada dos nucleotídeos em uma sequência) a troca de golpes foi mais intensa. Phil criticou a técnica de whole-genome shotgun (desenvolvida pelo grupo de Craig Venter e usada pela Celera), apesar desta ter prevalecido na genômica. Ele basicamente disse que ela não funciona para genomas complexos e o que houve nos últimos 15 anos foi um relaxamento dos critérios para se considerar um genoma sequenciado.
Gene Myers estava na plateia e obviamente não ficou quieto. Questionou os dados mostrados por Green e o nível de decibéis aumentou consideravelmente. Felizmente, o mediador da sessão, Richard Roberts, conseguiu com algumas piadas interromper e suavizar a situação.
Gene Myers fala daqui a pouco. Mais um round à vista.
Phil Green
Bem, quase 15 anos depois o clima continua pesado entre os membros originais dos dois grupos. Em várias palestras aqui em CSHL houve um jab aqui e outro acolá. Agora há pouco na palestra de Phil Green (pai do programa Phred que avalia a qualidade da chamada dos nucleotídeos em uma sequência) a troca de golpes foi mais intensa. Phil criticou a técnica de whole-genome shotgun (desenvolvida pelo grupo de Craig Venter e usada pela Celera), apesar desta ter prevalecido na genômica. Ele basicamente disse que ela não funciona para genomas complexos e o que houve nos últimos 15 anos foi um relaxamento dos critérios para se considerar um genoma sequenciado.
Gene Myers estava na plateia e obviamente não ficou quieto. Questionou os dados mostrados por Green e o nível de decibéis aumentou consideravelmente. Felizmente, o mediador da sessão, Richard Roberts, conseguiu com algumas piadas interromper e suavizar a situação.
Gene Myers fala daqui a pouco. Mais um round à vista.
sexta-feira, 17 de julho de 2015
Gilbert versus Sanger
Uma das primeiras palestras ontem aqui no evento em CSHL foi do meu mestre Wally Gilbert que descreveu o desenvolvimento do seu método de sequenciamento (Maxam/Gilbert ou método químico). A discussão que se seguiu foi interessante. Richard Roberts (prêmio Nobel pela descoberta do mecanismo de splicing) comentou sobre o predomínio da tecnologia de Gilbert sobre a de Sanger no final da década de 70 e início da década de 80. A discussão que se seguiu focou em alguns pontos:
1) Wally tornou pública a receita do sequenciamento químico. Ele comentou que distribuiu o protocolo de sequenciamento em uma Gordon Research Conference em 1976, praticamente um ano antes da publicação da metodologia. Roberts chamou isso de "excelente estratégia de marketing". Além disso, Wally abriu o laboratório para quem quisesse aprender a usar o método.
2) O método químico não exigia insumos complexos como enzimas purificadas e nucleotídeos modificados.
3) Foi exatamente a disponibilidade comercial desses insumos que fez o jogo virar e tornou a metodologia de Sanger mais popular.
4) Crucial nessa mudança foi justamente o desenvolvimento dos sequenciadores automáticos. Hoje de manhã, Leroy Hood em sua palestra mencionou que optou por automatizar a metodologia de Sanger, e não a de Gilbert, por ela ser quimicamente mais fácil de ser automatizada.
1) Wally tornou pública a receita do sequenciamento químico. Ele comentou que distribuiu o protocolo de sequenciamento em uma Gordon Research Conference em 1976, praticamente um ano antes da publicação da metodologia. Roberts chamou isso de "excelente estratégia de marketing". Além disso, Wally abriu o laboratório para quem quisesse aprender a usar o método.
2) O método químico não exigia insumos complexos como enzimas purificadas e nucleotídeos modificados.
3) Foi exatamente a disponibilidade comercial desses insumos que fez o jogo virar e tornou a metodologia de Sanger mais popular.
4) Crucial nessa mudança foi justamente o desenvolvimento dos sequenciadores automáticos. Hoje de manhã, Leroy Hood em sua palestra mencionou que optou por automatizar a metodologia de Sanger, e não a de Gilbert, por ela ser quimicamente mais fácil de ser automatizada.
Rosalind Franklin e a morte da hélice
Estou nos EUA em um evento no lendário Cold Spring Harbor Laboratory. Nos próximos dias irei
postar sobre algumas das palestras.
O evento começou ontem a noite (quinta) com um palestra de James Watson. Ele deu um breve histórico sobre o seu envolvimento no famoso paper de 1953 sobre a estrutura do DNA. A parte mais curiosa foi quando ele mostrou um slide contendo a imagem abaixo:

Um cartão irônico assinado por Rosalind Franklin (e pelo seu assistente Gosling), enviado a vários colegas, anunciando a morte da hélice do DNA. O cartão é de Julho de 1952, ou seja, quase um ano antes da publicação do famoso paper da Nature de Watson and Crick. Já discutiu-se muito sobre a incapacidade de Franklin em perceber nos seus dados de difração o padrão de hélice. Em sua palestra Watson reforçou a ideia de que a incapacidade de Franklin em estabelecer colaborações no meio científico custou-lhe de certa a glória de desvendar a estrutura do DNA. Ela dominava tecnicamente a técnica de difração mas simplesmente não conseguiu interpretar a famosa foto 51 (abaixo).

A forma como Watson e Crick tiveram acesso à foto 51 ainda é um assunto controverso. Há um excelente documentário na PBS-NOVA sobre o assunto. Estou entre aqueles que acham que ela deveria ter compartilhado o prêmio Nobel com Watson e Crick. Nunca saberemos se ela ganharia ou não dada a sua morte em 1958 devido a um câncer de ovário.
postar sobre algumas das palestras.
O evento começou ontem a noite (quinta) com um palestra de James Watson. Ele deu um breve histórico sobre o seu envolvimento no famoso paper de 1953 sobre a estrutura do DNA. A parte mais curiosa foi quando ele mostrou um slide contendo a imagem abaixo:
Um cartão irônico assinado por Rosalind Franklin (e pelo seu assistente Gosling), enviado a vários colegas, anunciando a morte da hélice do DNA. O cartão é de Julho de 1952, ou seja, quase um ano antes da publicação do famoso paper da Nature de Watson and Crick. Já discutiu-se muito sobre a incapacidade de Franklin em perceber nos seus dados de difração o padrão de hélice. Em sua palestra Watson reforçou a ideia de que a incapacidade de Franklin em estabelecer colaborações no meio científico custou-lhe de certa a glória de desvendar a estrutura do DNA. Ela dominava tecnicamente a técnica de difração mas simplesmente não conseguiu interpretar a famosa foto 51 (abaixo).
A forma como Watson e Crick tiveram acesso à foto 51 ainda é um assunto controverso. Há um excelente documentário na PBS-NOVA sobre o assunto. Estou entre aqueles que acham que ela deveria ter compartilhado o prêmio Nobel com Watson e Crick. Nunca saberemos se ela ganharia ou não dada a sua morte em 1958 devido a um câncer de ovário.
quarta-feira, 15 de julho de 2015
Grande NASA!
Tem horas que dá muito orgulho de ser cientista!
A foto abaixo é de Plutão, a 5 bilhões de quilômetros!
Ontem (14/07/2015), a sonda New Horizons sobrevoou
Plutão depois de uma viagem de 9,5 anos.

Para mais detalhes, ver a página da NASA, ou então os blogs
de gente mais gabaritada para falar sobre esse grande momento da ciência:
o blog Mensageiro Sideral e o blog Física na Veia.
A foto abaixo é de Plutão, a 5 bilhões de quilômetros!
Ontem (14/07/2015), a sonda New Horizons sobrevoou
Plutão depois de uma viagem de 9,5 anos.
Para mais detalhes, ver a página da NASA, ou então os blogs
de gente mais gabaritada para falar sobre esse grande momento da ciência:
o blog Mensageiro Sideral e o blog Física na Veia.
Assinar:
Postagens (Atom)
